Meio ambiente
Paulo Rossi -
Carol tem 33 anos e uma filha de oito. Professora, solteira, conta com a mãe para cuidar da menina enquanto luta contra o vício do crack.
Está há uma semana no acolhimento do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Álcool e Drogas (AD) III, em Pelotas. Ocupa um dos dez leitos da unidade destinados à desintoxicação de usuários cadastrados em situação de crise. Inaugurado há um ano, o Caps AD III dobrou sua capacidade e passou a realizar a média de dois mil atendimentos/mês entre todas as atividades oferecidas.
Localizado na rua Dom Pedro II, 813, entre Padre Anchieta e 15 de Novembro, na área central, o Caps AD III conta com uma equipe de 60 profissionais, entre psicólogos, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, professores de Educação Física, entre outros. Oferece atendimento individual e em grupos, à família do usuário, atividades comunitárias, orientação profissional, suporte médico e psicoterápico e acolhimento noturno para desintoxicação e outros cuidados. Funciona inclusive aos domingos e feriados, o que permite acolher e acompanhar usuários da rede nos momentos de maior vulnerabilidade ininterruptamente.
A desintoxicação é um indicação técnica, explica a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cíntia Yurgel.
Normalmente os dez leitos não estão ocupados na totalidade, pois cada usuário tem um plano terapêutico singular. Ao chegar no Caps, a pessoa recebe acolhimento inicial a cargo de psicólogo, enfermeiro ou assistente social. É realizada a avaliação e traçado o plano terapêutico, que inclui acompanhamento individual ou em grupo e, se necessário, acolhimento noturno.
Conforme o perfil do usuário, é encaminhado para uma determinada oficina: artesanato, desenho, qualidade de vida ou cine pipoca. Neste período próximo ao Natal, na oficina de artesanato são confeccionados guirlandas e enfeites em geral. Os produtos, segundo a professora Margareth Bilharva Vaz, são comercializados para reverter em material para a oficina. Eles também aprendem a trabalhar com marcenaria e pintura. Há, ainda a academia, onde fazem atividades físicas regularmente.
O acolhimento 24 horas ampliou o trabalho do Caps AD e para a população foi um ganho, salienta a psicóloga Gabriela Haack. Neste primeiro ano de funcionamento são feitas adequações e a tendência é de oferecer maior suporte e ampliar as ações às duas unidades de acolhimento infanto-juvenil. Também está nos planos abrir uma unidade para acolher adultos em 2015.
O Caps AD III funciona com recursos das três esferas de governo e conta com o apoio de estagiários das universidades Federal (UFPel) e Católica (UCPel) de Pelotas, Anhanguera e Furg, tornando-se também um centro de formação para estudantes.
Carol, a moça do início, usou crack durante cinco anos e há dois buscou tratamento. Ficou um ano sem usar, mas teve recaída. Fumou uma pedra e pediu para ficar no acolhimento. Mas o período de desintoxicação é de 15 dias e ela quer um lugar para ficar longe de tudo e de todos. Seu desejo é de conseguir ir para uma clínica terapêutica.
"Quanto estou aqui me sinto aliviada, não penso no que está acontecendo na rua, me concentro no que está acontecendo", diz. No momento em que falou isso bordava na oficina de artesanato. Carol não é um apelido ao seu nome verdadeiro. Mas foi o que escolheu para ser identificada nesta matéria. Assim como o caso dela, milhares existem. Só no Caps AD III estão cadastradas cinco mil pessoas que lutam contra a dependência de álcool e drogas.
Entenda a classificação dos Caps
Caps I - Municípios com até 70 mil habitantes
Caps II - Municípios com mais de 270 mil habitantes
Caps III - Com acolhimento diurno e noturno. Funcionam 24 horas
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