Atrasos no repasse de verbas para obras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) estão pondo em risco o sonho da casa própria de 1.040 famílias de Pelotas. No momento, quatro empreendimentos direcionados a pessoas com renda mensal de até três salários mínimos - dois no Sítio Floresta e dois no Corredor do Obelisco - encontram-se em andamento na cidade, mas correm o risco de parar devido ao não pagamento das duas últimas medições feitas pelo governo federal, referentes a novembro e dezembro. Ao todo, R$ 12 milhões deixaram de ser pagos às três construtoras responsáveis pelos projetos, dificultando o pagamento de funcionários e fornecedores.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Pelotas, Ricardo Ferreira, a situação pode impactar diretamente na economia do município caso o Ministério das Cidades (MC) não confirme o pagamento ainda este ano. Hoje, mais de 900 trabalhadores atuam nas empresas envolvidas e podem sofrer atrasos no pagamento da última parcela do 13º salário. Conforme o construtor Walter Silva - ele é membro do conselho do Sinduscon e ex-presidente da entidade -, algumas construtoras tem apelado para empréstimos e financiamentos com o objetivo de pagar as contas. Além disso, o setor tem se mobilizado em Brasília para garantir a liberação das verbas antes de janeiro.

Caso isso não ocorra, a possibilidade de paralisação das obras não está descartada. Esta não é a primeira vez que as empresas têm problemas relacionados ao recebimento do MCMV. Em outubro do ano passado também ocorreram atrasos, no entanto, a questão foi resolvida após um acordo entre o governo e o setor para a ampliação do prazo para o pagamento dos serviços realizados pelas construtoras. Até então, o dinheiro era depositado na conta da empresa aproximadamente cinco dias após a emissão da nota. Depois do acordo, o prazo estendeu-se para até 30 dias, dependendo do porte da construtora.

Bancos à espera
O problema é nacional e atinge empreendimentos financiados tanto pela Caixa Econômica Federal (CEF) como pelo Banco do Brasil (BB). Em todo o país, mais de cem construtoras aguardam recursos no valor de R$ 2 bilhões. Em Pelotas, a verba encaminhada pelo Ministério das Cidades (MC) relacionada à faixa um do MCMV - para o cidadão com renda até três salários - são repassados pelo BB. De acordo com a assessoria de comunicação da instituição bancária, esta aguarda o depósito do dinheiro por parte do Ministério para efetuar os pagamentos. Já o MC limitou-se a dizer que o cronograma segue fluxo normal.

MCMV
Das 13 mil moradias necessárias para solucionar o déficit habitacional em Pelotas, cerca de sete mil envolvem pessoas com renda mensal de até três salários mínimos. Caso os quatro empreendimentos em andamento na cidade sejam concluídos, 1.040 famílias pelotenses terão acesso à moradia no próximo ano. Em todo o país, mais de R$ 220 bilhões devem ser investidos na construção de três milhões de unidades habitacionais, como parte da terceira etapa do programa.