Um novo prazo para desocupação do terreno do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), localizado na avenida Salgado Filho, Zona Norte de Pelotas foi concedido pela justiça. De acordo com a decisão, as 64 famílias deveriam sair ate às 6h de desta terça-feira (15). No entanto, o assessor jurídico da Câmara de Vereadores, Joaquim Folha, busca alternativas legais para eles permanecerem, seja em uma área onde não há provas de propriedade à União, seja pelo adiamento da reintegração. O advogado não havia possuía o resultado da inclusão destes novos pedidos no processo.

Na tarde desta segunda, um representante da Polícia Federal (PF) esteve no espaço. Sem se identificar, o agente caracterizou os motivos da visita como sigilosos. No entanto, ao conversar com os ocupantes, a reportagem do Diário Popular descobriu a nova data para reintegração de posse. Corpo de Bombeiros, Brigada Militar (BM), além de equipes da PF devem ser escalados para participar da ação.

Na área de um hectare, ocupado desde o dia 3 deste mês, a limpeza do lixo e a construção de pequenas residências compõem o cenário. Em busca da casa própria, os manifestantes seguem em mobilização pacífica e não pretendem resistir a ação policial. "Temos cadeirante, gestantes, crianças e não estamos aqui para brigar com a polícia", comenta Ana Claudia Gomes, 26, mãe de três filhos e participante da ocupação.

Ainda de acordo com uma das integrantes, Dalvanira Bastos, 33, há esperança do prazo ser estendido. Segundo ela, o agente da PF pediu aos ocupantes retirarem os pertences de valor, já que uma retroescavadeira poderia auxiliar o processo de demolição das casas e barracas. Uma das estratégias do advogado, Joaquim Folha, é a transferência destas famílias para um terreno nos fundos, o qual não há provas de pertencer ao ministério. Mapas e estudos da prefeitura foram anexados no processo com o objetivo de sensibilizar o julgamento em optar pela permanência das famílias.

Relembre
A área do Mapa foi ocupada no dia 3 e no mesmo dia foi concedido o prazo de 72 horas para reintegração de posse. Um dia após, representantes protestaram em frente à prefeitura e foram à Câmara de Vereadores para pedir auxílio nas negociações. Neste processo, o assessor jurídico do Legislativo começou a acompanhar o caso, conseguindo estender o prazo até quarta-feira passada.

No dia 8, parlamentares pelotenses e integrantes do órgão federal se reuniram em Porto Alegre para procurar uma conciliação entre as partes. Na ocasião, o Mapa confirmou a intenção de doar o terreno ao Executivo, mas somente após a total desocupação do espaço.